Tóquio, Japão,
março de 2019.
O título pode parecer
óbvio, uma vez que nosso destino foi o Japão, que fica, literalmente, do outro
lado do mundo, mas... não é bem assim. Estamos falando de uma mudança quase
radical em alguns dos nossos paradigmas quando se trata de ir à Tóquio, o lugar
específico do Japão onde passamos 8 maravilhosos dias.
Nossas experiências
foram diversas, uma vez que, singularmente, cada um as vivencia sob sua própria
perspectiva pessoal. Mas todos concordamos que o Japão não é um destino fácil e
muito menos tranquilo, a começar do fato de que passamos nada mais, nada menos
do que aproximadamente pouco mais de 24 horas em pleno vôo, tanto na ida quanto
na volta. Haja disposição e vontade de ir para a terra do sol nascente. Mas
vontade e disposição foi justamente o que não nos faltou. Para compensar a disposição, o
cansaço nos acompanhou quase todo o tempo e o jetlag veio com tudo, já
que a alteração de fuso horário é de 12 horas. Isso nos deixa meio confusos
quanto ao tempo e ao comportamento tal como, por exemplo, quando resolvemos nos
comunicar com nossos familiares e precisamos nos lembrar que talvez estejam na
metade do seu sono, em plena madrugada. Mas fora as percepções temporais e o
cansaço resultante da exaustiva viagem, a adrenalina em ir e visitar, ainda que
apenas uma pequena parte deste belo país insular, nos estimulou e nos permitiu
superar quaisquer dificuldades.
Nosso planejamento
começou meio que de repente. Durante um almoço, veio a oportunidade (através de
uma promoção) de fazer valer a ideia e o sonho (principalmente dos nossos
filhos) de realizar esse empreendimento nada simples, diga-se de passagem.
Quase num ímpeto, fechamos a viagem e tivemos apenas 6 meses para todas as
providências (no meu caso, esse tempo foi pouco, uma vez que o planejamento
incluia todo um levantamento financeiro para dar suporte a algo desta
magnitude, além de outras providências). Porém, em meio a vistos, casacos e
contratempos, os dias foram passando e a gostosa ansiedade crescendo e tomando
a forma de templos, kanjis e hashis. Confesso que na véspera estava com o
coração apertado e com um sentimento pouco comum, que me deixou aflita. Ainda
bem que fui salva por uma bela e relaxante piscina com luzes azuis, a convite
dos nossos companheiros de viagem - Flávia e Leo - que, a propósito, merecem
muitas salvas por toda a amizade e a cumplicidade com que nos brindaram todo o
tempo. Esse spa de última hora nos ajudou a acomodar nossos corações
para a partida do Brasil.
Entre muitas malas e
roupas totalmente inadequadas ao verão brasileiro, partimos para o Galeão, em
pleno verão carioca. Procedimentos de praxe cumpridos, sentamos para um
merecido café no Starbucks, em meio a uma banda tocando músicas carnavalescas
para recepcionar os turistas que chegavam ao Brasil para o Carnaval. A vida é
assim… enquanto uns vêm, outros vão. Como não estávamos muito no clima de
carnaval (nossa proposta, aliás, era bem outra), mal observamos a tal banda que, no fim
das contas, estava era fazendo um anormal barulho no aeroporto. Mas é interessante
perceber que é justamente isso que nos caracteriza… essa bonita e alegre
receptividade, apesar de todos as nossas complicadas questões internas.
Após as despedidas (minha filha insistindo para eu não ir...rs), entramos na área reservada e fizemos a primeira das muitas passagens em alfândegas e imigrações. Curiosamente, meu filho foi interpelado e inspecionado. Como o funcionário não entendeu o que ele disse, até questionou se ele falava Português. Bem, por enquanto sim… mas daqui a pouco a comunicação será bem outra. Viajamos pela United Airlines e eu descobri (sim, essa foi minha primeira viagem internacional) que vôos assim não tem lá tanto glamour e conforto quanto a nossa imaginação sugerira. Bem, na verdade, não tem quase nenhum glamour e muito pouco conforto, pelo menos para os pobres mortais que viajam de classe econômica. Devo confessar uma certa invejinha ao passar pela classe executiva. Apesar desses detalhes pouco importantes, foi um vôo tranquilo (mas que não acabava mais) até Houston, nossa primeira escala.
Após as despedidas (minha filha insistindo para eu não ir...rs), entramos na área reservada e fizemos a primeira das muitas passagens em alfândegas e imigrações. Curiosamente, meu filho foi interpelado e inspecionado. Como o funcionário não entendeu o que ele disse, até questionou se ele falava Português. Bem, por enquanto sim… mas daqui a pouco a comunicação será bem outra. Viajamos pela United Airlines e eu descobri (sim, essa foi minha primeira viagem internacional) que vôos assim não tem lá tanto glamour e conforto quanto a nossa imaginação sugerira. Bem, na verdade, não tem quase nenhum glamour e muito pouco conforto, pelo menos para os pobres mortais que viajam de classe econômica. Devo confessar uma certa invejinha ao passar pela classe executiva. Apesar desses detalhes pouco importantes, foi um vôo tranquilo (mas que não acabava mais) até Houston, nossa primeira escala.
No primeiro dia de
março chegamos a Houston pela manhã. Um friozinho totalmente suportável nos
recepcionou, já que estávamos no ambiente climatizado do aeroporto. Após os
chatos, mas indispensáveis procedimentos partimos para o café da manhã
regado a algo que não consegui beber direito, mas que garanto, não era o nosso café. Depois, fizemos a nossa já
habitual sessão de fotos (sempre obrigatórias, é claro) e pleiteamos o direito a uma
agradável sessão de massagem por 5 dólares (pagaríamos e ficaríamos mais, se
não fosse a hora do nosso próximo vôo). Algumas rápidas comprinhas no freeshop
de Houston, adentramos o vôo da ANA, mas não sem antes atentar para algumas
trocas de assentos daqui e dali. E aí foi bem interessante porque, apesar do
meu assento não ser nada ruim (janela e fila de apenas 2 lugares), eu queria
mesmo era ficar perto do meu filhote. A solução foi a troca de assentos com um
japonês que abriu um sorriso de orelha a orelha quando percebeu que trocaria
seu corredor por uma janela. A melhor parte: Guilherme começou a
se comunicar em japonês. Aparentemente, se fez entender, porque a surpresa era
do japonês foi apenas por um jovem ocidental falar clara e fluentemente a sua língua.
Começamos bem.
O vôo, apesar das
longas 14 horas nas quais literalmente não sabemos o que fazer, foi bem mais
agradável. A ANA é uma excelente companhia aérea. O serviço é melhor servido e
assessorado. As comissárias são umas fofas, com seus alegres e coloridos
uniformes, sempre com um simpático sorriso. Uma prévia do japanese way of
life, não exatamente pelos sorrisos, mas por algo que se tornou uma
constante em nossa estada e que expressa bem o jeito de ser japonês: a
solicitude. Vamos falar mais sobre isso adiante.
Entre guloseimas (sim,
a ANA serve biscoitinhos, balinhas, toalhinhas umedecidas e bebidinhas o tempo
todo) e altos papos (Flávia e eu tagarelamos bastante… foi ótimo), conseguimos
suportar as longas horas de vôo. Porque, vamos combinar, o tempo parece não
passar… você vê filmes, lê, tenta dormir, ouve música, conversa, olha o
progresso da viagem, tentar dormir de novo e o avião simplesmente parece que
não sai do lugar.
Segue então o relato de
alguém que, na verdade, não criou grandes expectativas, mas deixou que a
fenomenologia da viagem falasse por si. A estratégia deu certo e assim pude ser
agradavelmente surpreendida a cada dia, a cada experiência, a cada contato com
essa cultura exótica que traça um perfeito equilíbrio entre a tradição e a
modernidade, entre a sisudez e a gentileza. O Japão se expressa pelo dinamismo
e pelo consumismo (ambos excessivos), mas também pela gentileza e pela
delicadeza. O país é um misto de silêncio e movimento, de estilosa elegância e
inusitado ecletismo.
Chegada em Tóquio e
Onsen
Nossa chegada ao Narita
Airport foi acompanhada por uma discreta emoção. Estávamos, afinal, no céu do
Japão e isso não é pouca coisa. Eu e meu filho trocamos um olhar cúmplice,
feliz… enfim, estamos aqui. Era o sonho dele… desejado e planejado com todo
cuidado. Guilherme, assim como Giulia, sua namorada, passou horas pesquisando lugares,
acessos, curiosidades e informações diversas sobre o Japão, desde a língua até
jogos peculiares (especialmente o Go, um típico jogo japonês), bem como datas comemorativas e o
significado de alguns objetos tradicionais. Fez também um pequeno glossário
(que quase não usamos, já que aproveitamos para gastar nosso inglês porque, no
nosso caso, falar japonês estava meio fora de cogitação, salvo uma palavrinha
aqui outra ali). Ou seja, ambos estudaram, se prepararam e fizeram jus aos seus
respectivos presentes de 15 anos!!!!
Chegamos a um aeroporto
que está claramente se preparando para as Olimpíadas no próximo ano. Passamos
por algumas reformas estruturais e entramos em solo efetivamente japonês.
Uauu!!! No caminho, as
comissárias acenaram e sorriram para nós, nos reconhecendo do vôo… moças simpáticas! Adoro isso!
Bem, como já disse, nem me
dei conta da diferença de fuso horário e fui logo enviando mensagem de whatsapp
para avisar que chegamos bem. Quase boa noite aqui e quase bom dia lá no
Brasil. Incrível estar com 12 horas de diferença no fuso horário. Um fato
interessante é que viajamos o tempo todo em plena luz do dia, sempre de
encontro ao Sol, que estava, de certa forma, sempre nascendo e nos
acompanhando. A rota pelo Pacífico nos permite vivenciar essa curiosa experiência.
O aeroporto é beeeem
distante do centro de Tóquio e também do nosso hotel. Algo em torno de mais ou
menos 1 hora, como acontece com a maioria dos aeroportos internacionais daqui
do Brasil também. A via que liga os dois pontos é uma espécie de Avenida Brasil
de Tóquio; porém, nenhuma semelhança, nenhuma coincidência. E olha que eu fiz
questão de avaliar o que pude no percurso por onde passamos, olhando até para o
asfalto e tentando, inutilmente, localizar algum senão. Nada, tudo placidamente perfeito e tranquilo. Ou seja, através
do ônibus especial que nos transportou até o hotel, diria que o primeiro
contato com a realidade japonesa me deixou excelentes primeiras impressões.
Entretanto, como já era esperado, o jetlag nos atacou com tudo que
pode. Além de estarmos exaustos pela viagem de aproximadamente 14 horas (só no
último vôo), a alteração radical do fuso horário nos deixou um tanto quanto
zonzos. Foi preciso respirar fundo para descer do ônibus, encarar o frio
cortante do entardecer da cidade e dar entrada no hotel 4 estrelas, o
Grand Nikko Tokyo Daiba, que é um luxo só... agradável desde a recepção até o
quarto aconchegante, com sua surpreendente vista para uma parte da ilha
de Odaiba, nosso bairro pelos próximos dias.
Após nos acomodarmos,
saímos para ir ao Onsen Monogatari, onde tivemos nossa primeira experiência
japonesa, com direito a quimono, banho pelada em relaxantes águas termais e
jantar de lámen (rämen, em japonês). Fiquei tão agradavelmente satisfeita que,
se pudesse, voltaria lá todos os dias. A única parte que não foi legal é que a
Giulia perdeu seu anel e ficou bastante triste com isso. Mas, para compensar,
vimos (todos contentes) Guilherme falar e escrever em japonês com a moça do
Onsen, na intenção de recuperar o anel, caso fosse achado. Infelizmente, não
aconteceu. Mas sentimos orgulho do nosso jovem se comunicando de forma fluente em
japonês. Isso logo deixaria de ser um espanto, já que ele se comunicou assim durante todo o tempo.Voltamos relaxados para o hotel, em meio ao frio gélido da noite de Tóquio no inverno. No caminho, passamos pela Estátua da Liberdade e pela Ponte de São Francisco. Ao que parece, Tóquio - por ser uma cidade cosmopolita - possui vários ícones do mundo representados, talvez com a intenção de homenagear seus muitos visitantes, assim como os habitantes estrangeiros que a adotam como cidade do coração. Em breve iremos conhecer mais alguns.
Não foi difícil pegar no sono, tamanho o cansaço da viagem e o relaxamento do Onsen. Importante estarmos descansados, porque amanhã a andança começa cedo.
Harajuku e Shinjuku
Nosso primeiro dia efetivo foi de muito frio (muito mesmo). Confesso que não estava preparada para o frio do final do inverno japonês, com direito a chuva e vento. Ou seja, para os meus padrões, algo em torno do quase insuportável. E olha que eu falei ‘final do inverno’. Nem quero pensar o que significa o auge....O fato é que foi complicado transitar por uma Tóquio chuvosa, sem guarda-chuva e com luvas molhadas (tive que pegar outras emprestadas).
O trenzinho de Yurikamome que nos transporta da ilha artificial, onde fica o nosso hotel, até a Estação do Metrô de Shimbashi (de onde os nossos demais destinos partem) é uma delícia: aconchegante e com gostinho de “estamos quase em casa na volta”. Detalhe: sem maquinista. Fiquei encantada com este nosso trenzinho de estimação.

De Shimbashi, neste primeiro dia, fomos para Shibuya e, de lá, caminhamos até o
Parque Yoyogi, onde visitamos o templo xintoísta Meiji Jingu, com direito a
rituais, vistas ao longe de um casamento, amuletos e pedidos aos deuses. Foi
encantador… apesar do frio. Neste templo tivemos a oportunidade de observar e praticar alguns rituais próprios de um templo xintoísta. Tanto na entrada e na saída, atenção por onde devemos caminhar, pois diz a lenda que, ao atravessar um portal, adentramos um território sagrado, onde os deuses habitam. Assim, entramos pelo centro do portal, mas devemos caminhar na lateral, pelas calçadas, uma vez o centro é reservado aos passos divinos. Não só é preciso fazer reverências ao cruzar os portais, mas observar nosso passos e nos purificar com água e preces, lavando as mãos e a boca com um prática interessante e peculiar (mas que congelou nossas mãos com a água gelada). No Japão, alguns atos são meticulosos e ritualísticos, e isso estar incluído até mesmo uma simples volta no parque.A ideia inicial era visitar o encontro de cosplayers que acontece todo domingo na ponte Jingu Bashi, mas este tal encontro não rolou devido, provavelmente, à chuva. Entretanto, um aspecto interessante é que os japoneses não se deixam abater pela chuva ou pelo frio. Saem e inundam as ruas com seu guarda-chuvas transparentes que esbarram sem maiores atropelos uns nos outros. A elegância também não fica em casa. Vai às ruas num misto de ecletismo e exotismo de encher os olhos. As japonesas têm um estilo único e muito interessante. Adorei a suave e exótica elegância que vi por lá. Ao que parece, em se tratando de vestimentas, quase tudo é permitido e tudo é muito natural. Desde um casaco dourado em plena manhã chuvosa até as famosas e tradicionais japonesas de quimono e chinelinho, passando por eventuais cosplays e pela turma fantasiada andando de kart pelas ruas de Tóquio, debaixo de chuva (nós os encontramos duas vezes). O frio participa da festa como um velho amigo. Tudo é muito divertido e estiloso. Adoraria ter fotografado as moças para me inspirar depois, quando nosso tímido inverno chegar.
Almoçamos comidinhas
ocidentais em Harajuku: o macarrão italiano estava gostoso, mas super
apimentado e as bebidas foram interessantes, mas não exatamente saborosas. Após o almoço, voltamos para a chuva e fizemos compras em
Omotesando, num bazar oriental, de onde não dava vontade de sair, de tão legal
e repleto de maravilhosos souvenirs sobre o Japão. Infelizmente, tudo
muito caro. Apesar da vontade de carregar a loja inteira, tivemos que nos
contentar com algumas pequenas lembranças.
Conformados, fomos para a Takeshita Douri, onde Giulia adquiriu um lindo cosplay da Alice. Depois partimos para a Daiso, na mesma rua, que fiquei sabendo ser a representante japonesa das nossas lojas de 1,99. Lá sim, dá para comprar algumas lembrancinhas legais e não tão caras. Após nos divertirmos no tumulto da Daiso, pegamos um metrô para Shinjuku, onde visitamos a papelaria Sekaido, que tem simplesmente 5 andares de pura diversão. Quase nos perdemos por lá. Gui comprou material para caligrafia japonesa, mas não sem antes pedir orientações (em japonês) a um senhor que lá estava com a mesma intenção e Giulia também adquiriu artigos imprescindíveis para aprimorar seu belo talento (a menina desenha muito bem). Em seguida, os dois foram com Leo para a loja Bic Camera para a aquisição do tão sonhado Nintendo Switch. Após a compra, nem precisa dizer o estado de felicidade em que o Guilherme se encontrava depois. Enquanto isso, eu e Flávia - já completamente exaustas - fazíamos umas modestas comprinhas na Uniqlo (loja esta que deveria ter no Brasil… alguém me diz por que não tem???). Por fim, não aguentamos lanchar pela rua e compramos coisinhas para comer na loja de conveniências em frente ao hotel, que é bem sortida e realmente conveniente.
Combinamos nos encontrar às 7h da manhã do dia seguinte para aproveitarmos bastante o dia! Importante: as ligações para o Brasil eram feitas ao chegar de volta ao hotel… Bom dia lá e boa noite aqui! Bom saber novidades de casa… todos bem!
Conformados, fomos para a Takeshita Douri, onde Giulia adquiriu um lindo cosplay da Alice. Depois partimos para a Daiso, na mesma rua, que fiquei sabendo ser a representante japonesa das nossas lojas de 1,99. Lá sim, dá para comprar algumas lembrancinhas legais e não tão caras. Após nos divertirmos no tumulto da Daiso, pegamos um metrô para Shinjuku, onde visitamos a papelaria Sekaido, que tem simplesmente 5 andares de pura diversão. Quase nos perdemos por lá. Gui comprou material para caligrafia japonesa, mas não sem antes pedir orientações (em japonês) a um senhor que lá estava com a mesma intenção e Giulia também adquiriu artigos imprescindíveis para aprimorar seu belo talento (a menina desenha muito bem). Em seguida, os dois foram com Leo para a loja Bic Camera para a aquisição do tão sonhado Nintendo Switch. Após a compra, nem precisa dizer o estado de felicidade em que o Guilherme se encontrava depois. Enquanto isso, eu e Flávia - já completamente exaustas - fazíamos umas modestas comprinhas na Uniqlo (loja esta que deveria ter no Brasil… alguém me diz por que não tem???). Por fim, não aguentamos lanchar pela rua e compramos coisinhas para comer na loja de conveniências em frente ao hotel, que é bem sortida e realmente conveniente.
Combinamos nos encontrar às 7h da manhã do dia seguinte para aproveitarmos bastante o dia! Importante: as ligações para o Brasil eram feitas ao chegar de volta ao hotel… Bom dia lá e boa noite aqui! Bom saber novidades de casa… todos bem!
Sensoji, Akihabara,
Corujas e frango frito
Novamente amanheceu
chovendo e fazendo muito frio. Acordamos cedo e fomos direto para Asakusa, onde
visitamos o templo budista Sensoji. Na via de entrada para o templo, fizemos
algumas poucas compras numa rua em que as lojas estão dispostas no caminho para a
entrada do templo. Todas perfeitas para turistas ávidos por coisinhas e
novidades do Japão. No templo, tentamos a sorte com os omikuji (papéis). A
parte boa é que, se os conselhos divinos não fossem muito favoráveis, bastava
amarrá-los em local apropriado, fazer uma prece entregando aos deuses o
eventual azar e tentar a sorte de novo. Na primeira vez, pendurei meu
papelzinho e fiz preces e reverências para afastar qualquer nefasta
possibilidade. Na segunda, a sorte me sorriu e fiquei bem satisfeita. Nada como
a generosidade divina budista japonesa.
Pelos arredores do templo, foi possível
contemplar um jardim japonês com carpas… lindo!!! Claro que tiramos muitas
fotos (o tempo todo, aliás). Na saída, fotos com uma japonesa de quimono e
também do táxi, que por sinal é bem charmoso. O motorista foi gentil e posou em
diversos ângulos para mim. De lá, fomos parar numa loja especializada em ábacos. A vendedora (ou dona) da loja falou o melhor inglês que encontramos em toda a nossa estada, mas os ábacos eram caríssimos. Gui adquiriu um mais modesto, mesmo querendo outro. Na saída, ela (com seu inglês impecável) nos orientou sobre como deveríamos fazer para chegar em Akihabara. No caminho, parada para o almoço no McDonald's, onde experimentei o Ebi Filet, o sanduíche de camarão que só tem no Japão. Gostosinho, diferente, interessante… valeu a novidade. Na saída, esqueci meu guarda-chuva brasileiro numa farmácia e lamentei. Depois fiquei me perguntando o que seria feito dele, porque lá em Tóquio, o que vc deixa na entrada é retirado na saída, sem a preocupação habitual do Rio de alguém pegar seu pertence “por engano”.
Depois, Akihabara, com o objetivo de ir no Radio Kaikan, local onde é possível comprar de tudo um tudo relativo a animes. São andares e mais andares de action figures e outras coisas do gênero. Aliás, Akihabara é uma espécie de meca dos amantes de animes. Dá até para ficar tonto no meio de tantas opções. De lá partimos para a compra de mangás e, em seguida, para o café das corujas, onde a fofurice em forma de grandes olhos e penas impera. Meus companheiros adultos de viagem e caminhadas tiveram um momento off e lá fui eu com as crianças para o café das corujas. Enquanto esperávamos (a entrada é rigorosamente no horário agendado), buscamos um local onde nos abrigar do frio intenso.
Já no café, ficamos
absolutamente encantados com a experiência… as corujinhas, de tudo quanto é
tipo, são realmente muito fofas. A vontade é de agarrar todas. Mas as regras
são rígidas: carinho somente na cabeça, com as costas das mãos, silêncio total
e nada de movimentos bruscos… e foram apenas essas regras que permitiram às
corujas escaparam do meu abraço apertado. Ainda bem que as fotos são
permitidas. No final da experiência, se quisermos, podemos adquirir as penas
das corujas que seguramos e acariciamos, o que é muito legal, mas o Guilherme
foi quem teve uma grande sorte neste dia. Ao encostar a cabeça na corujinha,
uma das penas se prendeu nos seus óculos e acabou caindo. As normas do café
dizem que, se caiu com vc, a pena é sua!!! Belo presente! Saímos comentando a
fofurice e o tamanho do corujão que tinha por lá, mas que não pôde ser
escolhido devido ao seu momento de descanso merecido. Aliás, um detalhe
interessante: elas têm horas de recreio e se revezam no atendimento aos seus
‘clientes’. E também voam ocasionalmente pelo café. Na saída, reencontramos Flávia e Leo e fomos jantar em um Kaiten zushi, ou sushi de esteira, onde tivemos nosso hilário episódio do frango frito. No Kaiten zushi, os pratos passam por nós numa esteira que circula pelas mesas. Vc escolhe o que quer consumir pelo tablet ou aguarda passar algo que o agrada. O que vc escolhe chega até você pelo segundo andar da esteira e um sensor sinaliza quando está chegando. Não me lembro bem se o tal do ‘frango frito’ foi escolhido ou se estava apenas passando por nós na esteira, mas o fato é que ficamos entusiasmados com o tal prato que parecia ser... de frango frito. Bem, era realmente, só que não exatamente o que estamos acostumados, e sim cartilagem de frango. Nem precisa dizer que ninguém gostou, né? Pagamos sem comer, mas foi divertido. Bom aviso para ler antes a descrição do cardápio antes de pedir o prato.
Metrô, Yurikamome, hotel, ligação para o Brasil e descanso merecido na piscina aquecida e com hidromassagem do hotel. Lá fui eu dar um mergulho de short, top e camiseta, trajes inimagináveis aqui no Brasil. Mas lá é assim. Comedimento até na hora do banho de piscina.
Cerejeiras, Museu
Nacional, Jinbocho, Maidreaming, Tokyo Tower
O dia amanheceu frio
como sempre, mas com um lindo sol para nos alegrar e animar. Hoje é dia de ir
ao Parque Ueno visitar não somente o parque, mas também o Museu Nacional de
Tóquio. Ao subirmos a escada que dá acesso ao parque, adentramos a larga
avenida central que dá acesso ao Museu. Qual não foi nossa surpresa ao
avistarmos, no caminho, uma das primeiras cerejeiras a florir em Tóquio (depois
soubemos que as primeiras cerejeiras florescem de fato no Parque Ueno). Lógico
que ficamos um bom tempo apreciando (e fotografando) a tal primeira cerejeira
que, por sinal, ficava bem próxima a um templo logo após a entrada do parque.
Foi mágico apreciar este símbolo tão belo e delicado do Japão. Imagino como
ficam as ruas e avenidas, margens dos rios e outros cartões postais repletos
dessa linda árvore, cujas flores são representativas da efemeridade, da
renovação, da esperança e da sensualidade. O Japão entra em festa na Primavera e o Parque Ueno já estava sendo preparado para as festividades que se anunciam.
Após esta agradável
prática do hanami (em japonês, 花見, cujo significado é ver as flores),
caminhamos pelas avenidas do Parque Ueno, passando por mais um belo templo, onde Guilherme ofereceu aos deuses, com uma prece solene, uma cerejeira colhida no caminho.
Depois, visitamos o Museu Nacional de Tóquio, com suas preciosidades culturais. Creio que ficaríamos ali o dia inteiro transitando de um ponto a outro do Museu, que abriga belíssimas obras e nos confere o necessário banho cultural para que possamos entender um pouco a história e a cultura japonesas, mas outros compromissos nos convocavam. Ao sairmos do Museu, vimos mais um alegre grupo de estudantes chegando para visitar o Museu. Já havíamos nos deparado com crianças nos jardins em frente ao Museu e depois vimos outro grupo de adolescentes. Porque no Japão é assim… tudo parece fluir harmoniosamente, integrando, de forma bem natural, as visitações aos Museus e aos parques à educação formal. Os jovens aprendem na prática, com frequência, o significado de sua história e seus costumes. Detalhe: os uniformes (especialmente os dos adolescentes) são rigorosamente iguais e isso vale até para as mochilas. Interessante também como caminham ordenadamente e sem qualquer tumulto. Não me ocorreu nenhuma semelhança no Brasil, onde as visitas a museus e centros culturais até acontecem mas, infelizmente, não fazem parte de uma rotina ou de uma prática habitual e sim trata-se de um acontecimento eventual que não traz a vivência cultural necessária à apreciação cotidiana do que é belo e do que é culto.
Depois, visitamos o Museu Nacional de Tóquio, com suas preciosidades culturais. Creio que ficaríamos ali o dia inteiro transitando de um ponto a outro do Museu, que abriga belíssimas obras e nos confere o necessário banho cultural para que possamos entender um pouco a história e a cultura japonesas, mas outros compromissos nos convocavam. Ao sairmos do Museu, vimos mais um alegre grupo de estudantes chegando para visitar o Museu. Já havíamos nos deparado com crianças nos jardins em frente ao Museu e depois vimos outro grupo de adolescentes. Porque no Japão é assim… tudo parece fluir harmoniosamente, integrando, de forma bem natural, as visitações aos Museus e aos parques à educação formal. Os jovens aprendem na prática, com frequência, o significado de sua história e seus costumes. Detalhe: os uniformes (especialmente os dos adolescentes) são rigorosamente iguais e isso vale até para as mochilas. Interessante também como caminham ordenadamente e sem qualquer tumulto. Não me ocorreu nenhuma semelhança no Brasil, onde as visitas a museus e centros culturais até acontecem mas, infelizmente, não fazem parte de uma rotina ou de uma prática habitual e sim trata-se de um acontecimento eventual que não traz a vivência cultural necessária à apreciação cotidiana do que é belo e do que é culto.
Na volta do caminho no parque Ueno, passamos por mais um templo e um mausoléu, onde tivemos a oportunidade de ver um dragão tirar a sorte para o Guilherme (foi bem divertido observar a dança do dragão, que nos lembrou nosso velho realejo). Na saída do parque, cumprimentamos a estátua do Último Samurai, Saigo Takamori; um sujeito rechonchudo e simpático, que ‘posou’ com seu cachorrinho, o que o torna para nós ainda mais amigável.
Claro que, a esta altura, já estávamos famintos. A
solução mais rápida foi almoçar num dos muitos restaurantes próximos ao parque.
A comida estava interessante, bem ao estilo japonês, com arroz “unido” e sem
tempero, mas que ajudava a controlar o sabor apimentado da carne. Para
acompanhar o tal arroz sem graça, um molho para lá de esquisito. O que nos
salvou foi a gostosa e familiar salada Ceaser e a deliciosa ‘sopa
de nada’. O apelido da sopa foi coisa nossa porque a dita cuja mais parecia uma
sopa de água com lascas de alho poró. Porém, quando a tomamos, surpresa… foi
eleito o prato mais saboroso do dia. Que venham mais ‘sopas de nada’! Ao
sairmos, demos uma paradinha na Padaria do Panda (aquela que se tornou uma
espécie de point para nós), para complementar o almoço com guloseimas
divertidas e com carinhas de Panda. Mais uma fofura para a nossa coleção!
Na parte da tarde nos
dividimos. Leo deixou o grupo para um momento off e o restante do grupo
rumou para o bairro das livrarias, Jimbocho, onde Gui comprou livros para seu
estudo de japonês. O local é pouco visitado por turistas, mas tem lá o seu
charme. Mais modesto em termos de cores e luzes, não deixa de ter as megas
lojas de muitos andares e é, na minha avaliação estética, bastante agradável.
Me senti agradavelmente acolhida em Jinbocho, mais do que nos outros bairros. A
livraria onde ele comprou os livros (dicionários, na verdade) que queria, tinha
seis andares. Lá, protagonizei um episódio cômico a respeito da compra de um
guarda-chuva. Não me dei conta de que os produtos pegos num determinado andar,
devem ser pagos no próprio andar onde se encontram. Distraidamente, peguei o
tal guarda-chuva e parti para a escada rolante. Qual não foi minha surpresa
quando o vendedor japonês saiu correndo atrás de mim e me interceptou no meio
da descida. Meio sem entender, disparei pedidos de desculpas, logo me dando
conta da situação. Após pagar pelo produto, saí sorrindo da situação. Muito
doido ser interpelada pelo vendedor preocupado em não receber. Mas tudo, tanto
a cobrança devida quanto a abordagem, foi feito com com muita educação e
reverência. Aliás, reverência é algo constante no Japão. Faz-se reverência para
tudo e para todos. E isso é muito, muito legal mesmo. Proporciona um sentido de
educação que parece estar um nível acima do resto do mundo. Depois de um tempo,
vc se acostuma a reverenciar tudo e se curvar para todos que encontra pela
frente. Trata-se do Ojigi (em japonês, お辞儀, que signifca arco,
curva), uma arte e uma atitude muito cortês e simpática, que a princípio pode
parecer algo próximo a uma submissão, mas na verdade reflete gratidão, respeito
e gentileza ímpares. Ah, sim, também tirei foto escondida de outro vendedor.
Quando resolvi pedir sua autorização para mais fotos, ele recusou polidamente.
De um modo geral, eles parecem não gostar de uma exposição excessiva. Aos
poucos, vamos praticando brazilices para dar conta dos nossos anseios e
furos. Ainda bem que aprendemos a reverenciar delicadamente nossos anfitriões,
o que ameniza um pouco nossas atitudes.
Após os livros,
voltamos para Akihabara (porque precisamos sempre nos lembrar que esta foi uma
viagem para jovens, que ainda exercem sua juventude através dos seus ícones
alegres e coloridos). Lá, fomos no Animate, no Gachapon e no Maidreaming. O
primeiro para mais uma busca implacável por não sei exatamente o que
(afinal, animes e afins compõem um universo um tanto quanto incompreensível
para adultos ocidentais já com uma certa idade). O segundo é o divertido caça
níqueis japonês, onde uma fortuna é depositada nas maquininhas de incontáveis
temas. E eis que até mesmo nós (os tais adultos ocidentais de uma certa idade),
nos divertimos. Não só nos divertimos buscando os temas de nosso interesse, mas
também fazendo algumas besteiras, tais como pegar um item por engano. Eu me
distraí achando que o que eu queria estava na máquina de cima e eis que me cai
nas mão nada mais nada menos que Chucky, o terrível. Caímos na gargalhada
quando me dei conta do meu engano (na verdade, fiquei algum tempo atônita, sem
saber o que aquele objeto colorido representava). Eu quis me desvencilhar do
Chucky, mas fui convencida a conservar a prenda para lembrar do momento
fatídico e dos Gashapons. Dali, partimos para o Maidreaming, um café
bizarramente fofo (nas palavras da Giulia). Nós, que já estávamos meio contaminadas
pelo Chucky, não conseguíamos parar de rir no café. O lugar é realmente
bizarro. Não é permitido fotografar ou filmar as moças, o que nos limita muito,
porque elas ficam circulando todo o tempo. Isso quando não estão quase nos
‘obrigando’ a fazer caras e bocas e falar versinhos fofinhos para ganhar a
comida. Sério, é muito estranho e engraçado. Sabemos que envergonhamos nossos
filhos rindo daquele jeito (porque imaginar os maridos naquele lugar fazendo
Miau Miau para ganhar a comida era algo que realmente extrapolava nosso bom
senso… e foi exatamente isso que fizemos), mas foi inevitável. Espero que nos
perdoem, queridos filhos e agradecemos a oportunidade dessa experiência
bizarramente fofa e inusitada. Flávia até ganhou um prato decorado (só a decoração
do prato valeu, porque conteúdo mesmo, quase nada) de presente pelo mês do seu
aniversário e pagamos também pelo show das meninas. O show em si foi mais uma
bizarrice que me deixou perplexa imaginando o que a pobre moça (bastante
parecida com o já inseparável Chucky) havia tomado ou cheirado antes da
apresentação, tamanha a doideira. Mas enfim, fato é que nos divertimos de
montão e saímos com a alma desopilada de tanto rir. Claro que tivemos os
imprevistos… duas ligações de vídeo justamente quando estava impedida de filmar
ou registrar as atividades. Fui obrigada a dar uma desculpa (perdão, Jorge…
perdão, amigos Mário e Érica) e me desvencilhar rápido das chamadas antes de
piorarmos ainda mais nossa situação junto à Gui&Giu.
Neste dia, ainda tivemos
disposição para visitar a Tokyo Tower. Pegamos um táxi de Akihabara e fomos até
a Torre (voltamos também de táxi para o hotel). Achei as viagens bem caras e,
ao que parece, os motoristas dirigem em alta velocidade nas vias mais livres.
Mas pelo menos os carros são bons e quero acreditar que exista um alto padrão
de qualidade para se dirigir profissionalmente em Tóquio. Então, tudo bem…
valeu por conseguir ver um pouco da cidade pelas vias tradicionais, ou seja,
pelo asfalto, apesar de ser bem estranho ser conduzida em mão inglesa. Dá uma
sensação de que algum acidente vai acontecer a qualquer momento. Pelo menos
nosso cérebro agradece o exercício mental que essas mudanças espaciais
proporcionam.
Voltando à Tokyo Tower
(a Torre Eiffel de Tóquio), devo dizer que é uma visão grandiosa. Como fomos à
noite, ela estava totalmente iluminada e nos ofereceu belíssimos ângulos da
cidade à uma altura considerável, mais exatamente 250 metros de altitude. Tudo
bem conduzido (apesar da aparente pressa de todos os funcionários em concluir o
turno do dia) e cuidadosamente decorado. Foi uma experiência muito prazerosa e
devidamente registrada. Claro que poderia ter sido bem melhor se estivéssemos
mais descansados (o dia foi bem puxado), mas ainda assim foi muito bom. E é claro
também que deu um medinho quando o elevador subiu e, de repente, deu um tranco
(foi uma subida com emoção… rsrs); nada que a vontade de estar lá em cima não
compensasse. Registro para o banheiro mega luxuoso (passei por ele duas vezes
antes de entrar achando que não era o banheiro) e para as simpáticas moças da
recepção, que ficaram felizes em posar para as fotos. Até que enfim alguém fica
feliz em posar para nossas lentes.
Chegamos ultra cansados
no hotel, mas bem felizes pelo dia animado e produtivo que tivemos.
SkyTree, Ghibli,
Pokemón, coelhos, Alice
Acordamos cedinho. Ao que parece, pela programação, o dia hoje será novamente intenso. Na saída do hotel soubemos que o Yurikamome estava parado, o que nos surpreendeu. Soubemos depois que havia uma espécie de manutenção acontecendo em várias estações. Um contratempo com certeza, mas nada que a solicitude (olha ela aí de novo) de uma senhora japonesa não pudesse resolver. Ela nos guiou e acompanhou para uma outra opção, em um outro trem, para conexão com as linhas de metrô. Euzinha seguia o bonde, porque estava meio que perdida. Esclareço que minhas percepções espaciais não são lá essas coisas. Se eu estiver em terra estranha, elas pioram ainda mais. Então, não me sigam e não me peçam sugestões… me deixem segui-los, é mais seguro para todos. No final, é claro, deu tudo certo. Meus guias de viagem (Flávia, Leo e nossos filhos) são muito espertos, para o bem de todos. Eu compenso topando o que vier e tentando não atrapalhar.
Mesmo com o
imprevisto, chegamos relativamente cedo Após circularmos pela SkyTree, o grupo se separou. Leo, Guilherme e Giulia foram visitar o Estúdio Ghibli, que fica em Mitaka, distante cerca de 1 hora de Tóquio. Segundo soube, adoraram a visita, especialmente Giulia, que estava ansiosa por esse programa, uma vez que é um estúdio de animação famoso e ela simplesmente adora desenhar. E, diga-se de passagem, desenha extremamente bem (acho que já disse isso, mas é bom reforçar). Eu e Flávia aproveitamos o tempo e fomos passear e fazer comprinhas no Ameyoko Shopping Street, mas também podem chamar de Amoyedoloko (se o nome for vagamente familiar, estamos mesmo falando da Amoedo, a loja de material de construção do Brasil. Este apelido foi dado pela Flávia). A Ameyoko Shopping Street é uma verdadeira Saara japonesa (fazendo um paralelo com o centro comercial ‘Saara’, do centro do Rio), sortida, confusa e tumultuada, mas bem interessante também. Antes, porém, paramos para almoçar no nosso point querido, a Padaria do Panda, uma vez que o local fica bem na saída da estação de Ueno, em frente à tal padaria. Não fosse a enorme rampa que éramos obrigadas a subir (e descer) nesta estação, eu já estava me sentindo quase bem à vontade no local. Rampa de Ueno, você será sempre lembrada.
Lá, na Amoyedoloko encontra-se de ‘tudo um tudo’, desde roupas e comidas até alguns produtos exóticos. Percebi que havia muitos chineses circulando por lá. Bem, pelo menos assim me pareceram, porque não é tão difícil distingui-los: os chineses são diferentes dos japoneses, não tanto visualmente num primeiro olhar, mas pelos modos e comportamentos. Até presenciamos uma treta entre um chinês (ou seria um japonês?) com uma vendedora numa farmácia. A coisa foi meio tensa, mas não demorou muito para acabar. Enquanto andávamos pela saara japonesa atrás de flores (que não encontramos) topamos com um templo no meio daquela confusão. Bem interessante essa mistura de vibrações. As pessoas paravam para contemplar e subiam para suas preces. Se não estivéssemos já muito cansadas, acho que subiríamos também. Após circularmos um pouco por ali, fomos tomar um café na estação de Ueno, em outra conhecida padaria, que serviu o chocolate mais gostoso que tomei por lá, com marshmallows se dissolvendo na bebida.
Depois da andança, pegamos o metrô e partimos para Akihabara, pensando que encontraríamos nosso grupo por lá. Porém, antes de circularmos mais um pouco, resolvemos deixar nossas coisas num desses cofres (locks) que ficam pelas saídas do metrô. Assim andaríamos sem peso por algum tempo, o que seria um alívio, dado o volume que a esta altura já nos pesava. Colocamos as moedinhas, depositamos nossas coisas, juramos proteger a chave com nossas vidas e tiramos fotos. Andamos um pouco e depois visitamos uma loja de 6 andares muito legal que vendia, entre outras coisas, os famosos vasos sanitários japoneses. (ai que vontade de levar um pra casa!!! rsrs). Após darmos nossa voltinha, retornamos para buscar nossas coisas e qual não foi nossa surpresa quando percebemos que estávamos perdidas. Acho que era o cansaço que começava a nos assolar e talvez por isso ficamos um pouco desorientadas. Mas ainda bem que tiramos fotos (sim, elas nos salvam às vezes) e conseguimos perguntar numa outra estação e nos localizar devidamente. Rimos muito, aliviadas, com a situação. Paramos para descansar um pouquinho e foi então que soubemos que nosso grupo não iria para Akihabara e sim direto para Ikebukuro. Entramos novamente no metrô e partimos para Ikebukuro que fica um tanto distante de onde estávamos. O metrô estava cheio e ficamos em pé. Mas logo depois, uma senhora japonesa já idosa e muito gentil, com sua nata solicitude, convidou a Flávia para sentar ao lado dela. As duas logo começaram a conversar em inglês. Logo depois, vagou um lugar e me uni ao papo. Que senhorinha fofa!!! Ela nos contou que tem uma filha que mora na Inglaterra, mas que ela mesma nunca saiu do Japão. Aprendeu a falar inglês quando era jovem e adorou a oportunidade de conversar com alguém. Demonstrou estar contente e orgulhosa em saber que somos do Brasil e que estávamos no Japão para conhecer um pouco do seu país. Ela desceu uma estação antes da nossa, se despediu e nos deu tchau ao sair. Esta foi uma das mais doces recordações que levarei comigo. Apenas lamentei não ter perguntado seu nome. Esta senhorinha alegrou nosso coração!
Ao chegarmos na estação de Ikebukuro, tivemos que andar muito até o local onde nossos queridos estavam. O local, o Sunshine Alpha, onde fica o Pokemón Megacenter é um shopping muito bonito e imponente, que parece ser também um centro de convenções ou algo assim. Lá estava acontecendo um show de dança muito bonito de um grupo colegial. Tirei algumas fotos sem saber que era proibido fotografar. Na segunda tentativa, veio um japonês e enfiou uma placa na minha frente avisando da proibição. Tudo com educação e reverência, mas de forma a deixar claro que eu não deveria insistir. Meu consolo é que não fui a única advertida. Enquanto isso, Guilherme e Giulia se esbaldavam pelo Pokemón Megacenter, a loja dos milhões de pokémons fofos. Em seguida, liberei Flávia e Leo da visita ao café dos coelhos - mais um dos cafés temáticos japoneses - onde, mais uma vez, ‘fofura’ é a palavra de ordem. Após as instruções dos funcionários do café, entramos para a nossa sessão de carinhos e chamegos nos lindos coelhinhos à nossa disposição. Giulia estava encantada! Foi realmente agradável ver os bichinhos circulando e comendo em nossas mãos. Geralmente, nesses cafés, tudo o que não lembramos é do café propriamente dito. Café pra quê, se tínhamos que alimentar os coelhos à nossa volta? A vontade era de ficar lá mais um bom tempo, mas as regras são rígidas e outro grupo já estava a postos para participar da fofurice.
Após os coelhos, nos
reunimos novamente e rumamos para o café de Alice. Este sim, apenas um local
para jantarmos e aproveitarmos a belíssima decoração do lugar. O café de Alice
que visitamos é um dos muitos cafés com o mesmo tema espalhados por Tóquio e
cada um conta uma parte da história. Foi um momento relax de alto nível, na companhia
de Alice e do chapeleiro maluco, com a rainha vermelha nos observando do alto
de uma tela. Os pratos eram gostosos (atenção especial à sopinha de milho
servida na entrada, que estava uma delícia) e as sobremesas decoradas em forma
de bichinhos fofos. Dava até pena comer. No café de Alice foi possível aos
adultos apreciar drinks de sakê. Brindamos à nossa viagem e apreciamos a
bebida. Estávamos precisando!
No fim deste dia movimentado, voltamos exaustos para o hotel. No Yurikamome (que voltara a funcionar), ninguém dizia uma palavra, tamanho o cansaço. Eu só pensava na banheira com hidromassagem do quarto do hotel.
No fim deste dia movimentado, voltamos exaustos para o hotel. No Yurikamome (que voltara a funcionar), ninguém dizia uma palavra, tamanho o cansaço. Eu só pensava na banheira com hidromassagem do quarto do hotel.
Palácio Imperial, Museu
de Ciências e Hachiko

Acordamos um pouquinho
mais tarde neste dia, o que nos permitiu uma boa relaxada. Achávamos que estava
tudo tranquilo e que teríamos a manhã praticamente livre, mas eis que, após o
café na estação de Shiodome, percebemos que havíamos perdido a hora para o
Palácio Imperial, o que quase deixou a todos nós paralisados. Uma distração da
nossa parte, talvez devido ao cansaço. Mas, como somos brasileiros e não
desistimos nunca, demos meia volta e lá fomos nós tentar a sessão seguinte.
Íamos visitar o mercado de peixe, para degustar petiscos de Tóquio, mas
paciência, ele fica para a próxima vez. Após uma pequena correria de nossa
parte e um equívoco sobre em qual parte do Jardim Imperial seria a visita,
conseguimos entrar. Mas não sem antes suportarmos uma torturante espera na
chuva e no frio gélido da alameda em frente à entrada para turistas do Palácio
Imperial. Enquanto esperávamos, vimos uma comitiva escoltada sair e depois
retornar aos limites do Palácio, ao que parecia ser uma apresentação de
credenciais de embaixadores ao Imperador Akihito (pelo menos foi o que Leo
cogitou). Para passar a hora, especulamos como seria uma saidinha dos membros
da família imperial para dar uma simples volta, ir ao cinema ou fazer uma
comprinha. Isso, que parece tão normal e corriqueiro para nós, pobres mortais,
pode não ser exatamente banal no caso da família imperial. Especulações à
parte, a visita aos jardins imperiais consistia num tour pela área externa do
Palácio com guias em três idiomas: inglês, japonês e chinês. Ficamos no grupo
inglês, é claro. Após algumas orientações por parte dos organizadores e apesar
do frio e da chuva persistirem em nos açoitar durante todo o passeio, lá fomos
nós transitar pelas avenidas e jardins. Algumas pessoas à nossa volta tiritavam
de frio, mas nada parecia abalar a nossa serelepe guia em seu salto alto,
andando rápida pelos caminhos imperiais e disparando as informações. Ela
conseguia, inclusive fazer graça. Eu mal conseguia ouvir, porque mal conseguia
acompanhar. Mas a visita foi, apesar de tudo, muito interessante. O ponto que
mais me chamou a atenção foi a esplêndida conservação dos jardins e a
tradicional arquitetura das construções aliada à modernidade fora dos limites
do Palácio. Tudo capturado pelas nossas lentes fascinadas. Infelizmente, só nos
foi é permitido ver a área externa, porque o restante é restrito. Afinal, o Palácio
Imperial é a morada oficial do Imperador e de sua família. Para selar minha
visita, fiz uma reverência ao cruzar os pórticos do Palácio, em sinal de
respeito e agradecimento à sagrada figura do Imperador e ao que ele representa
ao povo japonês. O Imperador significa para os japoneses, especificamente,
“soberano dos céus”. Teria sido maravilhoso se tivéssemos a oportunidade de
ver, nem que fosse de longe, sua Majestade Imperial Akihito, que abdicará este
ano ainda, em favor de seu filho Naruhito. Mas paciência, já nos sentimos
honrados em pisar em solo imperial e sagrado.
À tarde, estava
programada a visita a outros 3 museus, mas por conta do tempo e do contratempo,
Giu&Gui tiveram que escolher apenas um. Decidiram pelo Museu de
Ciências, em Ueno. A visita foi somente deles. Os adultos ficaram saboreando
guloseimas, mais uma vez na Padaria do Panda. Mais tarde, eles se uniram a nós
para lanchar.
Durante todo o dia, a
chuva e o frio caminharam conosco firmes e fortes. Mas, apesar da falta
de trégua do tempo, não poderíamos deixar de ir ao cruzamento mais movimentado
do mundo, em Shibuya. Antes, ao sair da estação, parada para fotos com o mais
famoso cãozinho japonês, Hachiko, eternizado numa produção hollywoodiana tão
dramática que quase nos desidrata. Confesso que achei emocionante abraçar sua
estátua. Em tempo, Hachiko é famoso e deve ser o segundo cachorro mais
fofo do mundo. O primeiro é, sem dúvida, o Nog (meu pet que deve estar morrendo
de saudades). Se mudarmos a categoria de cão para gato, temos que os dois mais
fofos são a Shiro e o Sam, os lindos gatinhos da Giulia e sua irmã.
Monte Fuji
Este dia foi, para mim,
o mais especial, pois foi o dia da nossa espetacular visita ao Monte Fuji ou,
mais apropriadamente, o Fuji-san, do alto dos seus 3776 metros de altitude. O
dia amanheceu lindo, como um presente de Tóquio e do deus (os japoneses assim o
consideram) para nós. Da estação de Yurikamome, O Fuji-san já se mostrava ao
fundo, em sua imponência, visível mesmo à distância. Foi incrível poder ver o Monte
da cidade de Tóquio. Ansiosos, pegamos o ônibus da excursão de um hotel, em
Ginza. Nossa guia, Motoko, foi muito simpática e sorridente, colocando-se à
nossa disposição de um jeito quase brasileiro. Mais tarde, ao conversar com
ela, soube que já esteve no Brasil, em São Paulo, e que gosta muito do nosso
país. Nós também gostamos do seu, Motoko.
Do hotel em Ginza para
Fuji Town foi um longo percurso de quase 2 horas para chegarmos próximos ao
Monte. No caminho entre Tóquio até lá, passamos pela maior carta de amor do
mundo, segundo o que disse nossa guia, que fica exposta no meio de um pequeno
morro, nos arredores de Fuji Town. Isso me pareceu inesperado… não imaginava
esse romantismo todo por parte dos japoneses, ainda mais assim, via carta,
externado e compartilhado.
Mas voltemos ao Monte
Fuji. Confesso que quando o vi mais de perto, meu coração acelerou. Olhar para
o vulcão, perceber que eu estava lá, real e fisicamente, foi impactante. Ir ao
Monte Fuji foi uma espécie de exigência de viagem de minha parte. Se vou ao
Japão, quero ir ao Monte Fuji. Explico: montanhas me atraem, não porque estão
lá (esta é, claramente, a resposta óbvia), mas porque são imponentes, belas,
desafiantes por si mesmas e porque estão realmente lá, num convite quase eterno
para que sejam alcançadas, superadas, admiradas e reverenciadas. E creio que
todos nós concordamos que o Monte Fuji é um belíssimo vulcão, dos que ainda
estão ativos, mas sem expectativas de entrar em atividade. Curiosamente,
encontramos ainda vestígios de sua última erupção pelo caminho. Fizemos uma
pequena parada numa estação, ainda um pouco distante, mas de onde já era
possível ver o deus Fuji em toda a sua magnitude. Já mais próximos, na primeira
estação, ele se revelou em (quase) todo o seu esplendor. Teria sido glorioso se
tivéssemos chegado mais perto. Infelizmente, embora o passeio incluísse a ida à
5a estação, por motivos de segurança a estrada estava fechada e o acesso
não estava autorizado. Nem precisa dizer o quanto lamentamos.
Ao sair, almoçamos num
restaurante aos pés do Monte, que incluia um parque de diversões. Fiquei
pensando no privilégio de brincar nas montanhas russas com este deus majestoso
te abençoando ao fundo na paisagem. O almoço foi espetacular e, melhor de tudo,
bebemos a água do Monte Fuji. Agora sim vamos emagrecer e ficar saudáveis para
todo o sempre. Claro que não faltou um pequeno deslize de minha parte,
derrubando todos os palitinhos no chão. Nada que não se resolvesse com a pronta
atenção da nossa sorridente guia, que logo pediu auxílio. No restaurante,
disponibilizam quimonos e roupas de samurais e tiramos várias fotos
interessantes. Tudo muito divertido.
Após o almoço, rumamos
pelas sinuosas estradas em direção ao lago Ashi, em Hakone, em uma das faces do
Monte Fuji. Com o espírito do deus impresso na minha alma, eu o acompanhava
pela estrada, hipnotizada pelo seu manto branco e eterno. Em Hakone, fizemos um
belíssimo passeio pelo lago Ashi e subimos pelo teleférico até o Monte
Komagatake, a 950 metros de altitude, alcançando um local surpreendente, com um
lindo santuário desativado, de onde é possível ver maravilhosamente bem o Monte
Fuji. Também vimos neve... pegamos neve. Foi minha primeira experiência com ela
e é claro que achei fascinante. Como o dia estava ensolarado e sem vento,
resistimos bem à temperatura de 0° C. Na saída, comprinhas e sorvete. Nosso
retorno até a estação onde pegamos o Shinkansen (trem bala) foi bem agradável.
No caminho vi três lindas cerejeiras que também já desabrocharam e senti um
pouco da beleza que é a primavera no Japão. Motoko foi muito gentil todo o
tempo, nos acompanhando até a estação e tirando fotos com a gente. No final, a
melhor parte: nós nos abraçamos calorosamente e ela nos desejou uma ótima
estada em Tóquio. Ah, bem que eu queria ficar mais tempo… mas já vamos embora
amanhã. Prometi a ela escrever e enviar as fotos que tiramos juntas e com o
grupo. Não te esqueceremos, Motoko!
Na estação, ficamos na
expectativa de andar no trem bala, e é claro que foi bem legal saber que
estávamos em um trem desse tipo, mas a estabilidade é tanta que não sentimos
nada diferente. Valeu a experiência! Observar, de dentro do trem, a eficiência
do funcionário conferindo tudo umas 4 vezes antes de liberar a partida, foi um
bônus que não me passou desapercebido. Antes de seguirmos para o hotel,
passamos em Yurakucho, onde Gui comprou o jogo Go, na loja Kotsu Kaikan (loja
esta indicada pela nossa guia Motoko, que não sossegou enquanto não conseguiu a
informação precisa da localização para dar ao Guilherme). É a tal da
solicitude, lembra?
Na volta, jantamos
tranquilamente no shopping próximo ao hotel, em Daiba. Um momento relax antes
do tumulto que se seguiria.
Mais tarde, já no
quarto do hotel, arrumamos as malas para nossa partida no dia seguinte.
Conseguimos, a duras penas, distribuir tudo pelo que se revelou ser um reduzido
espaço para tanta coisa. Acho que Guilherme queria, se pudesse, embrulhar o
Japão em papel de presente branco, com laço vermelho (as cores da bandeira) e
levar consigo para o Brasil. Mas enfim, após um bom tempo usando todos os meus
artifícios de organização, fechamos a mala. Já era quase 1 hora da manhã e eu
estava simplesmente exausta. Mas eis que, de repente, a alça da mala menor
quebrou. Fazer o que, né? Acontece… a coitada não aguentou o peso do
conhecimento e das brincadeiras (livros e jogos). Adormeci pensando em como
solucionar o problema no dia seguinte. Gui, é claro, estava tão preocupado com
suas preciosas aquisições e determinado a trazer tudo que garantiu carregar a
mala na cabeça, se fosse preciso.
Robô grandão, Retorno
Dia de partida… de
minha parte, um pouco com o coração partido também. Como acordamos um pouco
mais tarde, conseguimos tomar nosso café da manhã na padaria próxima ao hotel
(aquela que nunca estava aberta quando saíamos para nossas andanças). Neste
dia, conseguimos também passear um pouco pelos arredores do hotel. Visitamos o
Robô grandão, o Unicorn Gundam, tiramos fotos legais e relaxamos no shopping
enquanto Gui&Giu devoravam um enorme e colorido algodão doce. Também nos
preparamos para o check-out, mas não sem antes resolver o incidente com
a mala. Saí em busca de outra no shopping e consegui uma promoção (eu
acho) que foi possível comprar. A vendedora foi bem simpática (e solícita), me
ajudando na compra. Como neste momento eu estava sozinha, sem Guilherme para
servir de intérprete, me virei no inglês mesmo. Ela me disse que falava só um
pouquinho de inglês e eu devolvi dizendo que eu também, que eu sou brasileira…
aí ela abriu um enorme e duradouro sorriso. Bem legal essa receptividade. Após
a compra, voltei correndo para o hotel e rearrumei tudo, a toque de caixa, já
que o tempo já não estava tão confortável assim. Tudo devidamente acomodado, só
faltava ajustar o peso das malas e esta foi uma verdadeira odisséia para
conseguir cravar os quase 23 kg em cada uma. Eu e a dupla Gui&Giu
terminamos a árdua tarefa tão cansados quanto aliviados. Claro que também
sobrou pra mochila de mão de todo mundo. Mas, como já sabíamos no fundo do
coração, no final deu tudo certo, apesar de termos cravado os olhos na balança
do aeroporto, vigiando a pesagem.
Na saída, agradecemos
ao Grand Nikko Tokyo Daiba pela acolhida e partimos para o aeroporto de Narita
no mesmo ônibus especial que nos trouxe. Após os procedimentos de praxe, bem
como lanchinhos no McDonald’s e comprinhas no free shop, pegamos nosso
vôo para Seattle. Quando lá chegamos, estávamos já bem cansados das horas
iniciais de vôo. E ainda teríamos pela frente mais um vôo até Houston e uma
escala antes da última decolagem que nos traria ao Brasil. Haja resistência. Um
detalhe curioso: saímos no final da tarde de sábado de Tóquio e chegamos pela
manhã de sábado em Seattle. Muito doido esse percurso contra o tempo. Não sei
não, mas acho que voltamos mais jovens do que quando fomos.
Apesar do cansaço, do jetlag
e do calor ao chegarmos, aqui estamos, sãos e salvos. O Rio nos recepcionou
com 29° e algumas nuvens. Muito bom chegarmos em segurança para abraçar nossa
família e nossa cidade novamente. Viajar é maravilhoso, mas voltar também é.
Minhas impressões
Foram as melhores
possíveis. Viajamos para o outro lado do mundo, sabendo do esforço que seria
necessário, mas também das janelas que se abririam. Particularmente, foi uma
radical primeira experiência fora do meu Brasil. Adorei! Nos divertimos,
fortalecemos laços, ampliamos horizontes, nos amparamos nas subidas e descidas
e voltamos felizes, apesar de alguns poucos pesares.
Segundo meu filho
Guilherme, o Japão é mais ocidental que o próprio Ocidente. Provavelmente, ele
tem razão! É um país muito ocidentalizado, mas com precisas e constantes
referências orientais, o que certamente o distingue e o torna único.
Definitivamente, o Japão não é para amadores. Há muito que ver, muito que
refletir sobre essa cultura diversa da nossa. Eles são mais comedidos e nós
somos mais expansivos. Eles são ordenados e nós somos mais bagunçados. Eles tem
um sentido muito presente de atenção ao outro e nós somos mais descolados.
Enfim, não há muitos termos de comparação. E, na verdade, não tem que ter. O
Japão é único, assim como o Brasil. E eles parecem gostar bastante de nós, da
nossa espontaneidade, da nossa música e talvez até do nosso confuso way of
being. Um ponto fundamental é que lá, ao contrário daqui, não se sente medo
ou receio de qualquer tipo pelas ruas. Lá, parece que tudo acontece dentro de
uma calculada e esperada tranquilidade. Para nós, brasileiros, é um momento de
alívio diante de nossa tumultuada realidade. Provavelmente deve existir algum
senão com relação ao Japão nos quesitos segurança (embora as estatísticas,
aparentemente, digam que não) ou problemas sociais; e é claro que não é difícil
observar o quanto são circunspectos e voltados ao universo pessoal de suas
leituras (aliás, uma constante em vários lugares, o que é bastante positivo) ou
de seus celulares (algo inevitável!!!), e esse comportamento introspectivo e
formal talvez explique seus altos índices de isolamento e até indicativos de
questões psicológicas graves. Mas, fato é que não fui ao Japão em busca de
pontos negativos ou análises aprofundadas, ainda que a observância de alguns
aspectos seja inevitável, como quando me deparei com a dureza do trabalho nem
sempre elegante (ao contrário) e algumas vezes até suspeito. Fui ao Japão como
turista, para conhecer o que ele tem de melhor. E garanto, tem muita coisa boa
por lá.
O Japão te surpreende,
te acolhe, te reverencia. Donos de um território pequeno (para os nossos
padrões) e montanhoso, os japoneses se aglomeram nos grandes centros e
transitam frenéticos para todo lado, conduzindo a horda humana apressada em
direção às suas ocupações e dilemas próprios, mas sempre com uma sutil e
presente preocupação pelo bem estar alheio. Tóquio é uma cidade populosa,
cosmopolita, intensa. Mas diante de tudo isso, algo me marcou profundamente e
assimilei, comovida, um traço que parece ser essencialmente japonês e que já
foi pontuado aqui: os japoneses são muito solícitos. Sim, na minha perspectiva,
solicitude define o povo japonês, talvez ainda mais que sua
tradicionalidade ou sua tecnologia, ambas exuberantes.Há uma palavra específica
para esse sentimento de hospitalidade, associado à gentileza e à solicitude
nela implícita, que é Omotenashi (em japonês, お持て成し). Os japoneses
são assim, solícitos como uma cerejeira florida. De suas árvores e raízes, a
delicadeza, os sorrisos, a reverência agradecida; de suas flores, a contínua vontade em
oferecer seus préstimos que embelezam, suavizam e consolidam os dias, mesmo os
mais frios e chuvosos. O Japão deixou saudade! E a vontade,no meu caso, de
voltar. No coração do meu filho Guilherme, a certeza de que isso acontecerá!
Luana Tavares








